Cruzeiros pelo Nilo

A melhor maneira de se conhecer as principais atrações do Egito é fazendo um cruzeiro pelo Nilo. Existem diversas opções, por isso é bom pesquisar antes de comprar as passagens ou um pacote. Os barcos são confortáveis, hotéis flutuantes. As refeições (café, almoço e jantar) normalmente estão incluídas e a cozinha é internacional, com alguns dias de jantares típicos.

Nada paga você acordar pela manhã com uma linda vista do Nilo da janela de sua cabine. E nas horas de navegação, é possível se distrair com um mergulho na piscina, jogando cartas ou simplesmente conversando com os outros turistas. Há lojas que vendem suvenirs e alguns barcos ainda oferecem um chá da tarde.

E não se espante ao chegar ao seu quarto no barco, e encontrar figuras esculpidas com suas toalhas. É uma criatividade enorme que os camareiros têm. Sim, camareiros, pois não vi mulheres na tripulação dos barcos.

No entanto, é bom estar preparado porque ao final do passeio é preciso deixar gorjetas para a tripulação. Dar gorjetas no Egito é praticamente uma instituição. Você querendo ou não o guia, o motorista da van, ou qualquer outra pessoa que prestar um serviço vai estender a mão. Como os brasileiros não estão muito acostumados a isso, vale deixar uma grana reservada para esse fim.

Durante minha viagem, eu fiz dois cruzeiros. O primeiro partiu de Luxor (veja post anterior sobre os passeios na cidade) e desceu o Nilo até chegar a Edfu, onde está um dos templos mais bem conservados do Egito. Durante milênios ficou soterrado por areia, sendo descoberto somente em 1860. É dedicado ao deus Hórus (aquele com a figura de um falcão), considerado um justiceiro na mitologia egípcia.

A próxima parada foi em Kom Ombo, uma pequena cidade que abrigou dois centros médicos, onde cirurgias já eram realizadas pelos egípcios. As paredes dos templos de lá possuem gravações de instrumentos cirúrgicos utilizados naquela época e partes do corpo humano. Inclusive, lá eram realizados tratamentos para disfunções sexuais. Era a pré-história do Viagra!

O ponto de chegada do cruzeiro foi Aswan, a cerca de 900 km do Cairo. Nessa área terminavam os antigos domínios do Egito e começava a Núbia. Hoje abriga uma das maiores represas do mundo para geração de energia elétrica. O Lago Nasser, formado após a construção, ganhou esse nome por causa do presidente do país na época.

Outra atração do local são as pedreiras de granito, onde eram esculpidos e retirados os obeliscos colocados nos templos de Luxor e Karnak (vide posts anteriores). Cada um pesava mais de mil toneladas e eram transportados rio acima para as construções dos faraós.

Perto de Aswan há duas outras opções de passeio: o Templo de Filae, erguido em homenagem à deusa Isis (do amor divino), onde à noite é possível assistir a um belíssimo show de som e luzes; e a visita a um povoado núbio. Para chegar lá, pegamos uma faluca, pequenas embarcações que lembram as "borboletas" que navegam no Rio São Francisco, aqui no Brasil.

Os moradores do povoado viviam da agricultura antes da construção da barragem. Como suas terras foram inundadas, hoje sobrevivem da venda de objetos para os turistas e do transporte nas falucas. As casas são abertas à visitação, e assim que você entra lhe é oferecido um copo de chá e logo depois há a "degustação" do narguilé.

Para embarcar no segundo cruzeiro, precisei pegar um vôo de 25 min de Aswan para Abu Simel. Lá foi construída a maior obra de Ramsés II: o templo dedicado a Amon-Ra, Ptah e Harmadris. Os quatro colossos (de 20 m de altura cada) colocados em frente ao templo já deixam o visitante sem fôlego ao chegar. Eles representam o faraó em diferentes idades. Ao lado há outro templo, mas este foi construído para Nefertari a esposa preferida de Ramsés.

O cruzeiro atravessa o Lago Nasser e visitamos alguns dos 14 templos (Amada, Wadi El Sebou, de Isis e Kalabsha) que foram desmontados e reconstruídos em lugares mais altos antes do lago encher completamente. Os arqueólogos dizem que ainda existem muitas peças e talvez até outros templos debaixo das areias que agora formam o fundo do lago.

Existem vários roteiros de cruzeiros para todos os gostos e bolsos. Quem tem mais tempo faz dois como eu e quem quer conhecer os templos mais importantes faz apenas aquele entre Luxor e Aswan. Mas não deixe de navegar nas águas do Nilo, pois é uma experiência fascinante!
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1 Response
  1. Suani Costa Says:

    No cruzeiro disponibilizam toalhas para a piscina?


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