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É do Maraca!

No país do Carnaval é assim. Entrou o ano novo e todos já começam a se perguntar onde há prévias da folia e a se programar para o feriadão. Pernambuco é um dos estados em que há mais diversidade cultural no período momesco. Frevo, Caboclinhos, Maracatus, Blocos Líricos... é muita coisas para se ver e ouvir.

Uma dica excelente para quem vem ao Recife antes ou durante o Carnaval é participar de um ensaio de Maracatu ou assistir a uma apresentação. Já falamos aqui neste Blog sobre esse tema. E agora tenho mais uma dica.

Trata-se do Maracatu Várzea do Capibaribe (MVC), que há 17 anos mantém viva essa expressão da cultura popular. As apresentações acontecem, a partir das 16h, no último domingo do mês em frente ao Teatro de Mamulengos, na Praça do Arsenal, no Recife Antigo.

Durante cerca de 1h30 de apresentação você ouve os diferentes batuques, acompanha as danças contagiantes e fica doido para tirar fotos com os integrantes do grupo e seus trajes coloridos que representam os orixás, o rei e a rainha, além de tocar no estandarte é claro.

É uma oportunidade também para conhecer um pouco da história do Maracatu. Há diversas versões sobre a data e a origem dessa manifestação cultural, mas as pesquisas apontam para os séculos XVII e XVIII e estado de Pernambuco como berço do Maracatu.

Ele traz tradições africanas como músicas em homenagens aos orixás, e danças que lembram os cortejos e coroação do reis africanos, que ao serem escravizados, trouxeram suas raízes e mantiveram seus títulos de nobreza no Brasil.

E se você ficou com vontade de aprender a tocar alguns dos instrumentos que fazem parte do batuque como a alfaia e o abê, pode também participar das oficinas do MVC. Elas acontecem todos os sábados, a partir das 16h, na Casa da Cultura, no Centro. E são gratuitas, basta levar o instrumento!

A Casa, por sinal, é uma atração à parte. Era um presídio que foi reformado e as celas se transformaram em lojas que vendem artesanato, de panos de prato aos lindos trabalhos em renda renascença.

Passe pelas comprinhas e depois vá participar da “batuqueterapia”, uma bela definição das oficinas dada por Mestre Pirulito, como é chamado Alcidésio Santana o fundador do MVC. E como diria o maior percussionista do século XX, Naná Vasconcelos: “É do Maraca, É do Maracatú!"

Coimbra das canções e dos doutores

“Coimbra do choupal. Ainda és capital. Do amor em Portugal, ainda. Coimbra onde uma vez. Com lágrimas se fez. A história dessa Inês tão linda.” Os versos da música na voz de Amália Rodrigues que tanto escutei quando criança, me vêm sempre à mente quando falo desta charmosa cidade portuguesa. E quem visita Coimbra, descobre que ela não é só Fado, é história, é gastronomia, é ciência e muito mais!

Partindo de Lisboa, você chega de carro pela A1 em cerca de 2h. Já saindo do Porto, é mais pertinho, aproximadamente 1h pela mesma A1. Reserve pelo menos três dias, pois há muito o que se ver, e a cidade é ótima para caminhadas. Há parques e monumentos que merecem uma visita sem pressa.

Localizada na região central de Portugal, Coimbra é cortada pelo rio Mondego que testemunhou a passagem de povos diversos como romanos, bárbaros e mulçumanos. Foi a primeira capital do reino e no século XVI recebeu a famosa Universidade.

A vocação acadêmica se mantém até os dias de hoje, sendo conhecida como a cidade universitária de Portugal. Agora, os edifícios históricos dividem lugar com prédios mais modernos. Em determinadas épocas do ano, o turista pode inclusive ver os estudantes com suas tradicionais capas pretas, hoje mais usadas em cerimônias como a formatura, por exemplo.

Então, a dica para começar o tour pela cidade é justamente conhecer primeiro a Universidade de Coimbra (1 a 20E maio/16). Fundada por D. Dinis em 1290, é uma das mais antigas da Europa. Vá sem olhar para o relógio, pois há muito que ver:

O ponto alto da visita, na minha opinião, é a Biblioteca Joanina. E como só entram pequenos grupos, faça essa visita primeiro, pois é preciso esperar o horário na fila.

Não é permitido tirar fotos, por isso aprecie com calma as paredes cobertas por estantes laqueadas de vermelho, verde escuro e negro, onde estão dispostos mais de 60 mil livros. Abaixo da Biblioteca está a Prisão Medieval e Acadêmica, usada como cárcere para os estudantes, digamos, menos comportados.

A Capela de S. Miguel é linda. Também só é vista em pequenos grupos, por isso paciência com as filas. O destaque em seu interior fica por conta do órgão barroco do século XVIII. Atenção também para as paredes da nave que são revestidas de azulejos do século XVII.

A Universidade é Patrimônio Mundial da Humanidade e parte dela está localizada no Paço Real, local destinado aos aposentos do Rei de Portugal, quando visitava Coimbra. No Paço estão as três salas mais visitadas pelos turistas:

A Sala das Armas contém as armas da extinta Guarda Real Acadêmica e que ainda hoje são utilizadas em cerimônias.  A Sala dos Capelos ou dos Grandes Atos, que ainda está em uso para doutoramentos “honoris causa”, foi a primeira sala do trono de Portugal.

Por último há a Sala do Exame Privado, usada primeiramente como aposentos reais, depois passou a ser utilizada para as provas orais que aconteciam antes do doutoramento. Atenção ao teto que traz os emblemas das faculdades.

Não deixe também de admirar o pátio interno da Universidade e a famosa Torre do século XVII.

Os sinos do relógio foram por muito tempo o regulador da vida dos estudantes, indicando os momentos de descanso e os momentos de estudo. Do alto, pode-se ter uma linda visão panorâmica da cidade.

Um lugar pouco visitado é o Museu da Ciência, localizado no antigo Colégio de Jesus. Construído pelos Jesuítas no século XVI, o espaço passa a pertencer à Universidade no século XVIII, e após a expulsão dos Jesuítas pelo Marquês de Pombal abrigou as Faculdades de Filosofia Natural e Matemática. Por fim transformou-se no Laboratório Químico.

Quando a fome bater após tanta caminhada e história, vá almoçar próximo ao rio Mondego no Largo da Portagem, em frente à Ponte Santa Clara. O lugar é agradabilíssimo e com uma vista linda. Subindo a Rua Ferreira Borges você também encontra boas opções para comer como o Café Restaurante Nicola.

Além da pastelaria eles servem um almoço delicioso. Aproveite e prove a alheira, que é um prato típico português. Trata-se de um enchido bem apimentado, com formato de linguiça. Pode ser assado ou grelhado e normalmente é servido com salada e batatas.

Conta a lenda que a alheira teria sido inventada pelos judeus supostamente convertidos ao catolicismo na época da Inquisição. Os cristãos novos, como eram chamados, continuavam com o costume de não comer carne de porco, trocando apenas o recheio do chouriço por carne de aves como peru e galinha.

Depois do almoço faça a digestão andando pelas ruas de pedras portuguesas muito bem assentadas, e entre nas lojinhas com mil e uma opções de presentes. Há muitos objetos feitos de cortiça, desde bolsas, sapatos e canetas até os tradicionais portacopos.

Caso você continue a subir a rua chegará até o Pátio da Inquisição, um conjunto de edifícios onde funcionou o Tribunal do Santo Ofício entre os séculos XVI e XVIII.

Para quem pode ficar mais tempo

Coimbra não deve ser vista em apenas um dia, por isso reserve mais tempo para passear pela cidade. Caso você viaje com crianças, uma parada obrigatória é Portugal dos Pequenitos. Trata-se de um parque que mostra, em escala reduzida, representações arquitetônicas de Portugal e de países por onde os colonizadores passaram. A criançada vai se divertir entrando e saindo de casinhas pequenas, e muito adultos voltam à infância quando chegam por lá. O local tem ainda um Museu da Barbie e outro do Traje.

Outra opção bem próxima do parque é o Mosteiro Santa Clara- a- Velha. Fundado no século XIII fica bem próximo do rio Mondego. Devido às enchentes as irmãs clarissas tempos depois, já no século XVII, se mudaram para outro lugar mais alto, o Mosteiro Santa Clara-a-Nova. O destaque deste monumento é o túmulo da Rainha Santa Isabel, padroeira de Coimbra.

Não deixe de visitar também os famosos Jardins da Quinta das Lágrimas, lugar onde o príncipe D. Pedro e a dama Inês de Castro se encontravam às escondidas. A história desse casal já foi alvo deste Blog. Foi ali também que Inês chegou ao trágico fim, e dizem que o fantasma dela ainda caminha pelos jardins! O parque tem árvores centenárias, ruínas medievais e abriga um Hotel que ocupa o lugar de um palácio do século XVIII.

E para terminar o post, vamos falar do Fado. Existe uma certa rixa entre o Fado de Coimbra e o de Lisboa, mas esse estilo musical português encanta a todos não só pelas letras, mas principalmente pelas lindas notas que saem das guitarras. O fado é, desde 2011, Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade.

O Fado de Coimbra é mais ligado às tradições acadêmicas, claro, cantando os amores estudantis. Procure visitar o Fado ao Centro, que tem apresentações diárias, cursos e oficinas. É uma boa maneira de encerrar sua visita à cidade!

“Coimbra das canções. Coimbra que nos põe. Os nossos corações, à luz...Coimbra dos doutores. Pra nós os seus cantores. A fonte dos amores és tu.”

Uma noite das arábias

O Rio de Janeiro é uma cidade que oferece inúmeras opções gastronômicas. Eu particularmente gosto muito da cozinha árabe. Sempre que visito a cidade dou um jeito de almoçar ou jantar no Arab, em Copacabana.

Não é só a comida que me atrai a este restaurante, mas todo o clima. A decoração é caprichada com muitas peças do oriente: instrumentos musicais com o alaúde, candelabros, almofadas, e uma iluminação intimista.

O atendimento é super simpático e os garçons explicam em detalhes tudo sobre cada uma das iguarias do cardápio.

Para quem não tem familiaridade com a culinária árabe, sugiro provar um combinado que traz uma degustação das pastas de grão de bico, de beringela e de coalhada, além do tradicional tabule. Inclui ainda dois pães pita que chegam quentinhos à mesa, mini quibes, mini esfirras e bolinhos de grão de bico.


Às quintas-feiras, à noite, você ainda pode assistir ao show de dança do ventre no restaurante. Quem preferir conhecer o local durante o dia, para almoço, poderá provar o buffet bem variado e delicioso. Não se esqueça das sobremesas, pois os doces feitos à base de nozes e mel são deliciosos!

Um espetáculo de fé

Quem visitar o estado de Pernambuco na época da Semana Santa tem um programa imperdível: o espetáculo da Paixão de Cristo, em Fazenda Nova, a cerca de três horas de carro de Recife.

Independente de qual religião você professa, vale a pena visitar o maior teatro a céu aberto do mundo.

Para comprar os ingressos você entra no site da peça, ou, se já estiver na cidade, vai a um dos shoppings centers que sempre têm estandes de venda. Ainda dá para pagar no cartão e dividir em várias vezes sem juros. Os preços variam entre R$ 80 e R$ 120 (mar/15), e considerei muito baratos pelo que o espetáculo oferece.

Depois do ingresso comprado é hora de decidir como chegar. Pode-se alugar um carro, pois a estrada é muito boa e bem sinalizada, ou ir de ônibus de turismo. Eu optei pela segunda opção, já que a peça termina tarde (21h20) e ainda tinha três horas de estrada para voltar à Recife. Várias empresas oferecem o passeio, e eu fui pela Luck Viagens pagando R$ 90.

O ônibus sair por volta das 11h3 e, pega a BR 232. A guia acompanha todo o trajeto, fala sobre as cidades que o turista vê pelo caminho (Vitória, Gravatá entre outras) e até distribuiu um lanchinho. Há uma parada em Caruaru para almoço de cerca de 1h30 e depois a viagem prossegue até Fazenda Nova, uma vila do município de Brejo da Mata de Deus, no agreste pernambucano.

O espetáculo foi encenado pela primeira vez há 48 anos graças aos esforços de um comerciante local, com a participação de toda sua família. Anos depois Plínio Pacheco, gaúcho e jornalista chegou à cidade e casou com a filha do comerciante, Diva Mendonça. Ele teve a ideia de construir um teatro que fosse uma réplica da cidade de Jerusalém para encenar as cenas dos últimos dias de Jesus Cristo.
Hoje a Paixão é um show. Belíssimos figurinos, cenários imensos e detalhistas, sistema de luz e som impecáveis, efeitos especiais e atores de primeiro time funcionam como um túnel do tempo em que o visitante é transportado para 2000 anos atrás.

São 100 mil metros quadrados cercados por uma muralha de pedras de quatro metros de altura e com 70 torres de sete metros cada uma.

No seu interior, nove palcos-platéias reproduzem cenários naturais, palácios e o Templo de Jerusalém. Tudo construído por arquitetos e cenógrafos nordestinos.

Durante muitos anos figurantes e atores eram todos da região. Hoje abriu-se espaço para nomes nacionais o que ajudou a popularizar o espetáculo pelo país.

Ao chegar em Nova Jeruzalém, como o local é chamado, os veículos ficam estacionados bem próximo. Em frente às muralhas são montados estandes para a venda de alimentos e bebidas, além do artesanato local.

É recomendado fazer um pequeno lanche, pois se anda muito durante o espetáculo. Também é possível comprar lembranças (bolsas, chaveiros, camisas etc) com a logomarca da Paixão, ou encontrar artesanato mais original feito em madeira, ferro e pano.

Ao passar pelas muralhas o cenário impressiona. Figurantes vestidos de centuriões estão espalhados por toda a parte. Há, inclusive, uma pousada que abriga os atores durante o período da Semana Santa e pode ser visitada durante todo o ano (há jantares em que os hóspedes de vestem com roupas da época).

O local possui lanchonetes (não é vendida bebida alcoolica dentro dos muros), e sanitários. Para pessoas com problemas de mobilidade, cadeiras de rodas podem ser reservadas e uma equipe se encarrega de empurra-las durante o show.

Enquanto esperam o início, os visitantes ficam deslumbrados com o local, tiram fotos dos cenários e admiram o pôr do sol por trás das montanhas que compõem o cenário natural. Tudo isso com um fundo de música clássica que vai deixando os visitantes em sintonia para o início do espetáculo.

São três horas em que o espectador vê as principais cenas da Paixão: sermão da montanha, visita ao templo, a Santa Ceia, a prisão de Jesus e o enforcamento de Judas, o bacanal de Herodes, o julgamento de Pilatos, a Via Sacra, o Calvário e a Ressurreição.

A emoção toma conta de plateia e atores, e é difícil não derramar lágrimas, mesmo com alguns incômodos como pessoas tirando fotos ou filmando com flashes. Para os idosos, a ida só é recomendada se usarem as cadeiras de rodas, e para os mais jovens o uso de tênis é recomendado devido às caminhadas entre um cenário e outro.

Ao final, não deixe de fazer outro lanchinho do lado de fora dos muros, porque a volta é longa, não tem paradas se você estiver em ônibus de turismo e você chega por volta da uma da manhã em Recife.

Mas todo o esforço vale a pena para ver esse espetáculo de fé!

Esquentando as alfaias

O Carnaval brasileiro é o maior espetáculo da terra. A folia acontece em todos os estados do país. Para o turista é um prato cheio. E os preparativos começam meses antes do evento.

Em Recife (PE), por exemplo, uma das tradições são os Grupos e Nações de Maracatu. O ritmo musical afro-brasileiro bem marcado por alfaias e caixas é forte e contagiante. Assim como o samba, não deixa ninguém parado.

Quem visitar a cidade a partir de agosto já pode assistir a um dos ensaios de grupos no Recife Antigo. As ruas são fechadas pela Prefeitura aos domingos, quando a área se transforma em um imenso passeio público.

Os grupos de maracatu se espalham  à tarde pelas ruas para ensaiar toques novos e antigos para o Carnaval.
 
A partir de janeiro as prévias acontecem também em Olinda, um dos lugares que mais fervem no Carnaval. É uma boa opção de divertimento para quem está na cidade (Olinda ou Recife), além de ser oportunidade para conhecer um pouco mais sobre a cultura pernambucana.

Os ensaios, mais conhecidos como arrastões (pois as pessoas vão acompanhando os grupos pelas ladeiras da cidade), acontecem aos sábados e domingos à tarde, sempre saindo da Praça do Carmo, bem na entrada de Olinda.

E para quem mora na cidade ou vai passar algum tempo por lá uma boa dica são as oficinas. O grupo Pernambucar-te, por exemplo, oferece cursos gratuitos de alfaia, timba, caixa e agbê, sempre a partir do segundo semestre de cada ano. Alguém aí se habilita?! ;-)

São João é no interior!

O São João no Nordeste é tão tradicional que rivaliza com o Carnaval. No entanto, ao contrário da festa de momo, quando as capitais ficam lotadas, as festas juninas mais disputadas estão no interior. É quando as famílias se reúnem, voltam às origens e relembram um tempo simples que não existe mais.

Em Pernambuco, Caruaru se intitula a capital do São João, mas outras cidades vêm investindo nas festividades, e oferecendo uma programação cultural diversificada.

Arcoverde é um belo exemplo. O viajante que passar pelo estado no mês de junho, deve reservar um tempinho para visitar a cidade.

O ponto alto são os dias que antecedem o São João, comemorado no dia 24.

O município fica a cerca de 4h de carro (cerca de 252km da capital). Partindo de Recife você pega a BR-232 e segue toda a vida, passando por Vitória, Gravatá, Caruaru e Pesqueira. A estrada está em ótimo estado de conservação, duplicada na maior parte e muito bem sinalizada.

Caso queira dar uma descansada, pare no meio do caminho no Rei das Coxinhas, um pouco antes de Gravatá. A tradicional lanchonete é imensa e tem os melhores salgadinhos da estrada.

Fique atento à entrada de Arcoverde. Após a cidade de Pesqueira, vá acompanhando as placas, e entre na que indica o nome da cidade.

Arcoverde tem poucas opções de hospedagem. A maior parte dos hotéis, poderiam ser classificados de pousadas familiares. Eu fiquei no Grand Hotel Magestic (87-38223636) que pelo nome já teve seus dias de glória, mas hoje é uma pálida lembrança desses dias de luxo. Tudo muito simples, mas com TV, ventilador, roupa de banho e cama limpos, chuveiro quente e café da manhã honesto.

A grande vantagem é que ele está bem no centro da cidade, permitindo que se vá a pé para a maior parte das festas. Isso é uma tremenda vantagem, principalmente para quem bebe, pois a polícia intensifica as operações da Lei Seca nessa época do ano.

Outra dica de hospedagem é o Hotel Cruzeiro (87-38223940). Este tem muito mais estrutura, fica bem ao lado de um posto de gasolina e loja de conveniências. A desvantagem é que não está no Centro e você precisará do carro para se deslocar ou pegar táxi.

Uma opção é alugar uma casa ou apartamento para o período. Existe até um cadastro de imóveis que você pode consultar no site da prefeitura da cidade.

Uma vez hospedado, a dica é pegar as filipetas de programação e aproveitar as festas. São vários pólos espalhados pela cidade, cada um com foco em uma tradição: samba de coco, forró pé de serra, artes etc.

O visitante terá um belo cenário da cultura regional de Pernambuco, conhecendo um pouco mais das tradições musicais da região. Ótimo para dançar até o dia raiar!

As atrações principais, ocorrem no palco montado no Centro. Vão desde o tradicional forró com nomes como Santana e Elba Ramalho, até artistas mais experimentais como Lirinha.

A programação inclui ainda música sertaneja com famosas duplas como César Menoti e Fabiano e Victor e Léo, e nomes do nomes do momento como Gaby Amarantos. Bem eclético para agradar a todos os gostos!

Uma cidade cenográfica é montada, com a tradicional igrejinha, fogueira, barracas de tiro ao alvo e artesanato.

Depois de tanto arrasta pé a fome pode bater e a dica são as barraquinhas montadas com churrasco, batata frita, caldinhos diversos, churros, bolos e outros petiscos deliciosos.

É bom lembrar que em junho é frio no interior, onde as temperaturas podem chegar aos 15 graus. Por isso levar roupas adequadas para o clima é uma dica importante.

E para esquentar o clima antes dos shows visite o Bar Tom Chopim (87-3821.3101), bem ao lado do palco principal e que traz no cardápio delícias como a batata recheada com camarão.

Outra sugestão é Verdes Arcos, que também abre para almoço. Prove a linguiça de frango que é uma delícia e ainda vem com farofa e vinagrete. Os preços em Arcoverde são excelentes. Um petisco, por exemplo, pode sair na faixa de R$5,00 a R$ 15,00, os shows são todos gratuitos e hospedagem gira em torno dos R$ 200,00 a diária para casal.

Durante o dia vale andar pela cidade que é bem pequena e a dica é pegar o carro e explorar os arredores, mas isso é tema de outros posts! :-)

Vamos ao teatro?

Recife, a capital Pernambucana, oferece muitas opções culturais a seus moradores e visitantes. Uma delas é o Teatro Santa Isabel. Homenageando a Princesa Isabel, o teatro foi inaugurado em 18 de maio de 185, e foi construído no estilo neoclássico.

Para quem conhece o Teatro Municipal do Rio, o Santo Isabel é uma versão menos luxuosa, mas não menos interessante. 

Visitar um lugar onde estiveram figuras históricas brasileiras como D. Pedro II, o poeta Castro Alves e o maestro Carlos Gomes é sem dúvida um ótimo programa.

No site do Teatro você pode encontrar a lista de peças em cartaz, saber um pouco mais da história do teatro e até fazer uma visita virtual. 

Há também um mapa mostrando como chegar à Praça da República, local onde está o Santa Isabel. Confira também a visita guiada que acontece aos sábados pela manhã.

Em busca do Samba

No Rio de Janeiro, há vários pontos de rodas de samba para os amantes da boa música. Fui apresentada um deles pela minhas amigas Re e Dani. Trata-se da roda da Pedra do Sal, local histórico no bairro na Saúde, na zona portuária da cidade.

Para chegar lá vá ao Centro do Rio de ônibus ou taxi e desça no início da Av. Rio Branco, em direção à Praça Mauá. Pegue a rua Sacadura Cabral, e a Pedra está bem na base do Morro da Conceição. A área, antes bem esquisita para um programa norturno, está sendo revitalizada e já é um dos points da cidade.

Tudo é muito simples, como convém ao espírito Carioca de ser. No pequeno largo ao lado da Pedra, por onde passavam os escravos nos séculos passados, são colocadas duas mesas. Os sambistas chegam por lá nas segundas (às 19h) e sextas (às 21h) e tocam até às 23h. O pessoal se acomoda nas escadarias que sobem o morro, na própria Pedra do Sal, ou ficam em pé mesmo.

Para quem quiser beber ou comer, barraquinhas oferecem cerveja, refrigerante, água e acarajé. Há banheiros químicos para alívio de nós mulheres educadas. E um ponto de taxi garante a volta para aqueles que já estão de pé doendo de tanto sambar.

O local reúne várias tribos: pessoal engravatado que acabou de sair dos escritórios, gringos extasiados com a informalidade do lugar, hippies fumando a contracultura, jovens e casais mais maduros em busca de um programa mais descontraído.

O calor é grande no local, por isso vá com roupas leves e despojadas, pois tudo é muito simples mesmo. E caso você queira mais dicas sobre rodas de samba acesse este site aqui e divirta-se!

Capadócia é um outro mundo

Para quem está acostumado a ver paisagens de praias, montanhas e lagos, a Capadócia é um prato cheio. É diferente de tudo que já havia visto na vida, mesmo o deserto no Egito.

As formações originadas pela lava dos vulcões Erciyes e Hasan, em conjunto com a erosão da água e do vento ao longo de 3 milhões de anos, são de tirar o fôlego.

Ao chegar na região, onde a cor ocre predomina, já é possível ter uma ideia de como era dura a vida das pessoas que viviam por ali. No entanto, apesar das dificuldades e dos terremotos, as cidades subterrâneas e os monastérios escavados na pedra estão lá para deleite dos turistas.

A primeira parada foi na formação rochosa conhecida como chaminés de fadas, que ganharam esse nome graças ao eco gerado pelo vento ao passar pelo local. As pessoas achavam que o barulho era produzido por fadas que moravam lá.

Em seguida fui ao museu a céu aberto de Göreme. Os buracos na rocha primeiro foram usados pelos hititas como depósito para alimentos e mercadorias.



Mais tarde, as cavernas escavadas no século I DC pelas mãos humanas serviram como local de peregrinação e estudos religiosos.

Os cultos dos primeiros cristãos aconteciam lá e ainda hoje é possível ver nas paredes as pinturas (dos séculos 9 a 11 DC) retratando Jesus, Maria e, claro, São Jorge.
Conta a história que São Jorge nasceu ao pé de um dos vulcões da Capadócia, no século II DC. No entanto ele é muito mais venerado no Brasil do que na Turquia, já que o país é 99% muçulmano.

Explorar esses locais exige fôlego, pois caminha-se muito e há centenas de degraus para subir, descer e por vezes anda-se agachado mesmo.

Na Fortaleza de Uçhisar, por exemplo, a subida é íngreme e com chuva e vento fica quase impossível chegar ao topo.

Do local tem-se uma vista geral da região, e por isso mesmo foi usado como posto de vigilância por muitos anos.

Outro ponto interessante a visitar uma das 140 cidades subterrâneas da Capadócia, cada uma com capacidade para cerca de mil pessoas.

Foram construídas primeiro para guardar alimentos, como adega e aos poucos com as guerras na região passaram a ser utilizadas como esconderijo.

Era possível ficar debaixo da terra por cerca de três meses, pois foram construídos canais para entrada de ar, poços para retirada de água e portas que uma vez fechadas só poderiam ser abertas pela parte de dentro.


Agora, não me pergunte como o pessoal daquela época se orientava lá em baixo, pois aquilo é um verdadeiro labirinto. O passeio é imperdível, mas não recomendo para quem é claustrofóbico ou tem dificuldades de locomoção.

Passei apenas dois dias na Capadócia, mas recomendo mais, pelo menos quatro para dar tempo de fazer mais visitas e também o passeio de balão. Por cerca de 150 Euros você pode sobrevoar a região pela manhã logo cedinho. As saídas acontecem por volta das 5h e dependem das condições climáticas do dia. Quem fez adorou!

À noite, além das opções de diversos restaurantes aos pés das montanhas há um show de danças típicas da Turquia. Não gosto muito desses números para turistas, mas já que estamos na chuva...

O grupo folclórico até que se saiu bem, havendo inclusive uma brasileira entre eles, apresentando o número da dança do ventre.

O negócio só destoou ao final, quando encerraram o show com uma "discoteca" tocando macarena (?!) e forró (!). Oh céus! kkkkkkk

Samba em Alagoas?

Para quem pensa que só de forró vive o Nordeste, em Maceió (AL) há um local especial onde pode-se ouvir samba e chorinho da melhor qualidade. Fui apresentada por meu grande amigo Alberto Mafra (Betinho para os íntimos!) ao bar Zé Pereira, onde toda sexta-feira a programação traz os clássicos desses gêneros musicais.

Os frequentadores do Zé estão na faixa dos 25 anos em diante, o que garante um clima mais tranquilo para apreciar a boa música. No dia em que estive lá havia um grupo de quatro músicos (voz, pandeiro, cavaquinho e sax/flauta). E eles ainda atenderam aos pedidos especiais de quem queria lembrar de alguma canção especial.

Além do show, você ainda pode se deliciar com as iguarias da cozinha criativa do Zé. Provei um escondidinho de camarão que estava de lamber os beiços! E para quem preferir o dia à noite, o bar também é restaurante e têm um cardápio pra lá de caprichado. Há inclusive recomendação na Veja Maceió.

O Zé fica no bairro de Santo Eduardo, a 15 min dos principais hotéis da orla de Maceió. Qualquer taxista sabe chegar lá. E os precinhos são muito camaradas, confira no site do bar.

Mi Buenos Aires querido...

A Copa realmente me traz inspiração para incluir alguns posts neste Blog. Com os hermanos argentinos nas quartas de final, lembrei-me de uma dica para quem gosta de shows de tango. Não, não aqueles acrobáticos para turistada ver. Tudo bem que em terras alheias somos todos turistas, mas muitas vezes fugir do óbvio vale a pena.

Esse é o caso do Bar Sur, um (bem) pequeno e aconhegante bar com show de tango da melhor qualidade. Você não vai ver lá uma performance, mas a pura dança argentina. Os números com os bailarinos são intercalados com apresentações dos cantores, a maioria da velha guarda, o que confere um ar ainda mais interessante ao local.

O ideal é ligar antes e reservar lugar, para não acabar ficando de fora. Na época em que estive lá, a carta de vinhos era variada e de pestisco havia somente pizza (!), não me perguntem o porquê. :-)