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Em busca do frio em Campos do Jordão - Dia 3

Caso consiga passar mais um dia em Campos do Jordão vá ao bairro do Alto da Boa Vista para visitar o Museu Felícia Leirner. A escultora polonesa especializada em modelagem doou seu trabalho para o estado de São Paulo, e as peças estão em exposição ao ar livre no museu que leva seu nome. 

No local, há também o Auditório Claudio Antônio construído para abrigar o maior festival de música clássica da América Latina. Ele acontecia sempre em julho antes da pandemia. A entrada é baratíssima para o que o museu oferece.

Tudo é muito bem conservado com placas explicativas. O visitante pode percorrer à vontade os jardins com as belíssimas esculturas. 

Me lembrou Inhotim (MG), mas em uma escala infinitamente menor.

De lá segui para o Palácio do Governo, mas estava fechado por causa da pandemia. 

Fiz então uma  parada no Café do Palácio, que fica bem em frente e tem uma vista maravilhosa da cidade.

Outro ponto interessante, principalmente para os chocólatras como eu, é a Fábrica de Chocolates Araucária. 

Tem um pequeno museu, bem simples, sobre a história do chocolate, de onde se tem a visão da produção. Na loja, além do doce, há geleias como as de ervas finas e de pimenta com alecrim para experimentar. Hummmmm! 

A famosa cervejaria Baden Baden estava fechada para visitação, mas vale verificar no site deles quando reabrirão para conhecer. 

Fui almoçar no restaurante Cantinho da Serra que estava com um menu turístico por R$60 (entrada, prato principal e sobremesa), uma pechincha em se tratando de Campos do Jordão. 

O ambiente é super aconchegante e o atendimento muito bom. A sopa de palmito e queijo servida de entrada era simplesmente divina!

Na parte da tarde rumei em direção ao Pico do Itapeva, que fica na divisa entre Campos e Pindamonhangaba. 

São 2.025 metros de altitude e lá de cima pode-se ver o Vale do Paraíba paulista. 

Há o Parque do Itapeva que possui um mirante e alguns jardins, mas a maioria das pessoas acaba seguindo em frente na estrada, estacionando o carro e tirando as fotos perto da encosta mesmo. A vista é incrível se o céu estiver limpo, sem nuvens ou neblina.

E a última parada do dia foi a  Ducha de Prata, antigo local para banho de hóspedes da pensão inglesa que havia no local. 

A entrada é gratuita, mas caso vá fazer alguma atividade como arvorismo ou arco e flecha é preciso desembolsar alguns reais. 

As crianças têm divertimento garantido por lá. 

E para quem gosta de comprinhas, aí vai a dica: em frente à Ducha tem um complexo de lojas onde você encontra roupas de frio por preços bem mais baratos que no centrinho do Capivari. 

Para encerrar a noite, a sugestão é jantar no Forneria no Capivari. Boa música, preços salgados mas bom atendimento. A linguiça com um belo vinho argentino fecharam bem mais um dia em Campos do Jordão.


Conhecendo Sintra

Sintra é linda, mas com o centro histórico sempre lotado de turistas. Já abordei algumas de suas atrações neste post sobre os arredores de Lisboa.

Na minha opinião, para você conhecer todos os atrativos do lugar vai utilizar pelo menos dois a três dias. 

Caso não tenha tempo, eleja até três pontos turísticos e foque neles para visitar sem pressa em um passeio bate e volta a partir da capital e de carro.

Sintra têm locais de visitação na Serra e também no litoral, como o Cabo da Roca e a aldeia de Azenhas do Mar, mas os principais pontos de interesse do turista estão na parte mais alta, dentro do Parque Nacional da Pena.

Neste post, coloco a sugestão de conhecer no mesmo dia o Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros e a Quinta da Regaleira nesta ordem.

O Palácio 

Chegue cedo ao Palácio, cerca de 30 min antes da abertura às 9h45. É importante ser um dos primeiros turistas a entrar. 

Isso garante pouca espera na fila, que pode durar horas se você for na alta estação. Na bilheteria, opte por comprar o conjunto de ingressos para diferentes atrações o que garante alguns descontos, e evita fila em outros pontos.

O Palácio da Pena, foi convertido em museu em 1910. Antes disso foi residência dos reis portugueses D. Maria II e D. Fernando II, que compraram em 1838 um antigo mosteiro da Ordem de S. Jerônimo, e iniciaram obras que transformaram o local no expoente máximo do Romantismo do séc. XIX.

A dica é após comprar o bilhete subir a escadaria de pedra a pé e chegar logo na porta de entrada para iniciar a visita dos interiores. 

Como ela é em sentido único, você deve observar bem tudo, cada cômodo e suas diferentes decorações. Deixe as fotos externas para o final da visita.

Em seguida veja o mapa que lhe dão na bilheteria e escolha, de acordo com seu fôlego, um dos caminhos para conhecer o parque. 

Ele é enorme, então não pense que vai ver tudo de uma só vez. Sugiro ficar nos jardins próximos que são lindos e rendem belas fotos.

No parque há lagos, a Cruz alta, ponto culminante da Serra, mirantes,  o Chalé e Jardim da Condessa d´Édla e o Convento dos Capuchos, que podem ser explorados em sua segunda visita à Portugal.

O Castelo

Localizado bem próximo do Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros na verdade são ruínas, mas com partes bem preservadas, onde o turista consegue perceber como era uma fortificação militar do século X.

Erguido pelos muçulmanos que viveram na região, ele está em um ponto estratégico, porque possibilita uma visão privilegiada de 360 graus de Sintra. 

Um dos caminhos que leva ao Castelo fica próximo à entrada do Palácio da Pena. Siga por ali, passando pela área arqueológica, onde você vê os silos para armazenamento de víveres.

Dentro das muralhas, os pontos principais para visita são a Torre da Menagem, a Praça de Armas e a Cisterna. 

É bom ter atenção ao andar pelas muralhas, pois um descuido com selfies pode custar a vida, já que não há guarda-corpos instalados em todos os locais. 

O sobe e desce de escadas também pode ser mais difícil ou até impossível para pessoas com mobilidade reduzida. Anda-se muito para visitar o Castelo, por isso leve água e barras de cereais para repor as energias.

A Quinta

O último ponto turístico do dia é a Quinta da Regaleira. Construída no século XIX pelo Barão Antônio Augusto Carvalho Monteiro, proprietário do terreno. 

Ela surpreende por suas construções dispostas em um labirinto de caminhos, que pode ser percorrido sem uma ordem específica.

Fica próxima do Castelo dos Mouros e também exige preparo físico porque a caminhada é longa para conhecer a propriedade de quatro hectares. 

São labirintos, cascatas, grutas, lagos, todas construções artificiais que tinham sentido filosófico ou iniciático para quem os planejou e ergueu.

É uma verdadeira viagem que leva o visitante a experiências diferentes em cada ponto. Destaco o poço iniciático por onde você desce uma escadaria que termina em túneis com diversas saídas para outras construções. Pode ser considerado um parque de diversões diferente.

Até hoje discute-se a razão pela qual o barão transformou a quinta em um local tão, digamos, fora do comum. Influências da Maçonaria, Templários e Rosa-cruz podem ser observadas nas construções.

O palácio que fica próximo à saída, por exemplo, tem traços que lembram arquiteturas de diferentes estilos como a  românica, gótica, renascentista e manuelina.

Uma dica valiosa para quem teve paciência de ler o post até o final: todos esses pontos turísticos possuem apps que você pode baixar do Google Play ou AppStore. Eu só percebi isso depois que fiz as visitas. Busque pelo Sintra Audio Tours.

Outros lugares a visitar

Como eu disse, Sintra ainda oferece outros lugares a visitar como o Palácio Monserrate, o Palácio de Sintra encravado no Centro Histórico e a Vila Sasseti, mas essas dicas ficam para a próxima viagem!

Queluz e Lisboa

Os arredores de Lisboa oferecem boas opções de passeios para os turistas que chegam à capital portuguesa. Já postei no blog algumas dicas, e agora coloco mais uma: Queluz, que fica a cerca de 12km de Lisboa.

A grande atração da cidade é o Palácio Nacional de Queluz, mais conhecido por nós brasileiros como o local onde nasceu e morreu D. Pedro I. Ele também foi locação para o filme brasileiro Caramuru, com os atores Selton Melo e Camila Pitanga.

Como além do palácio há os jardins para visitar, eu recomendo passar uma manhã inteira por lá. O valor da entrada por 10 Euros pode parecer caro quando multiplicamos os reais, no entanto vale cada centavo.

O acervo mostra como era a vida na corte dos séculos XVIII e XIX, com decoração e peças dos estilos barroco, rococó e neoclássico. Atenção especial para a sala Don Quixote, que possui cenas que retratam o personagem criado por Cervantes. Foi lá onde morreu D. Pedro I com apenas 36 anos.

O sentido da visita é único, então você tem a garantia de passar por todos os espaços que estão abertos ao público. Após conhecer a área interna, pegue a saída para os jardins. Eles devem ser vistos em duas etapas: a primera, aqueles que ficam próximos ao palácio e formam figuras geométricas, com cascatas e fontes que em alguns momentos lembram os de Versailles, na França.

Saindo pelo Pórtico da Fama você chega aos jardins do piso inferior, pois o terreno tem um declive. Prepare os pés para as caminhadas, pois o lugar é imenso! Seguindo em frente há lagos e cascatas, e descendo para a direita você chega ao antigo Jardim do Labirinto. Ali pertinho há um café para pequenos lanches e banheiros. Sugiro comer algo, comprar água para dar conta do que ainda terá para ver!

Rodeando a área externa do palácio pela direita você vê uma belíssima construção chamada Canal dos Azulejos, onde a família real passeava de gôndola. E mais jardins, lagos e picadeiros, além das construções que foram as estrebarias reais.

Ao final do percurso a sugestão é voltar para Lisboa direto para o bairro de Alcântara para conhecer a LX Factory.

Revitalização

Essa é a palavra na moda em Portugal. Transformar lugares antes abandonados, ou pouco visitados, em atrações descoladas para o público do século XXI.

A LX Factory é exatamente isso. Um complexo industrial histórico do século XIX,  que hoje abriga lojas de arte, moda, restaurantes e muita música. Recebe turistas e gente descolada de todo o mundo.

Eu recomendo primeiro parar para comer no MexCais, que se auto-intitula um espaço cultural e gastronômico. O local é temático uma homenagem às lutas livres mexicanas, ou telecatch como ficaram conhecidas no Brasil. Você pode até escolher a mesa que fica no ringue para se sentar! O menu é formado por delícias como tacos e churros.

Depois vá passear pelas ruas, entre nas lojas pois há uma coisa que ver, como a Comur, Fábrica de Conservas, fundada em 1942, conhecida como A Conserveira de Portugal.

As latas de sardinhas em azeite, com pimentos, trutas, polvo no azeite, lulas etc são todas vintage, o que muito sucesso entre os turistas. Tudo uma delícia!

As ruas com artesãos, lojas com roupas descoladas, muitos objetos vintage, com design diferenciado, quadros que são verdadeiras obras de arte.

Visitar esses locais é refrescar a mente, trazendo o inovador para sua frente.

Há ainda o Espaço Brasil, bem perto da Comur, com um painel enorme do artista pernambucano Derlon. O local oferece concertos, exposições, palestras e workshops, gastronomia, divulgando a arte e cultura brasileiras.

Para quem quiser se hospedar bem ai ao lado há o hostel The Dorm. Outra referência dos trópicos é o restaurante Rio Maravilha.

O melhor de lá é o terraço com vista para a Ponte 25 de Abril e o Cristo Mulher. Ver o pôr do sol lá do alto é um must para quem visita Lisboa!

Um giro por Tavira


Uma das cidades do Algarve mais próximas da Espanha é Tavira. Cortada pelo rio Gilão que desagua no Parque Natural da Ria Formosa, pode ser visitada em passeios de um dia a partir de Faro.

Caso queira conhecer a parte histórica e as praias, aí recomendo passar mais tempo.

Um bom lugar para se hospedar é o Hotel Princesa do Gilão, que fica bem em frente ao rio e tem estacionamento próprio. Tente reservar um quarto com vista para a cidade, pois a visão das águas calmas ao entardecer é belíssima.

Tavira deve-se descobrir a pé, pelas ruas por onde passaram fenícios, romanos, árabes, judeus e cristãos. Atravessando a ponte em frente ao hotel você chega à parte antiga. Extremamente limpa e conservada, passear por lá é uma delícia no verão.

Entre os principais monumentos estão a Igreja de Santa Maria do Castelo e o Castelo de Tavira.

A matriz da cidade foi construída sobre a maior mesquita que existiu no Algarve, no século XIII pela Ordem de Santiago, após a expulsão dos árabes.

Destaque para o relógio que marca a paisagem com seu branco, contrastando com o céu azul.

Já o Castelo é o local ideal para ter uma visão panorâmica de Tavira. Estudos apontam que ele foi construído na época da dominação árabe (séc XII), quando o local se chamava al-Tabira.

Restam apenas as muralhas e os jardins que são muito bonitos. A vista do alto é bela. O local é cercado por lendas como a da moura, filha de um antigo governador árabe, que aparece chorando nas noites de São João.

A Igreja da Misericórdia, construída em 1540, também é outro ponto de destaque. E aí vai uma dica: nestelink você baixa audioguias para seu celular para quando for à cidade, e assim vai recebendo as informações enquanto caminha por ela!

A Ponte Romana e seus sete arcos é outro atrativo, assim como o Jardim do Coreto e o Mercado da Ribeira.

Este último um belo lugar para comer já que abriga alguns restaurantes e lojas de souvenirs. O Mercado Municipal é onde você encontrará frutas, doces e produtos frescos como os pescados.

Para quem tem mais tempo para ficar na cidade, vale conhecer o Parque Natural da Ria Formosa, formado por lagoas salgadas, planícies de lama das marés e ilhas de areia. Há passeios de barco que partem do Porto de Tavira. E as praias como Tavira, do Barril e Terra Estreita fazem com que sua estada tenham que ser estendida na cidade.


A capital do Algarve


Faro é considera a capital do Algave e além das belas praias, possui séculos de história. Já passou por colonização feníncia, esteve sob domínio dos romanos, dos mouros até que em 1249 é conquistada por D. Afonso Henriques.

E desde o século passado, vêm se desenvolvendo como a porta de entrada do Algarve para milhares de turistas, graças ao aeroporto, que é o segundo mais movimentado de Portugal.

A parte histórica da cidade pode ser conhecida em um dia, mas as praias merecem mais tempo do turista. Você também pode optar por fazer de Faro o ponto de apoio para visitar outros locais, como Albufeira e Tavira, pois tudo é muito próximo e a cidade é bem servida de transportes públicos e boas estradas.

Faro oferece ao visitante belas paisagens, como a praia de Faro, na verdade um braço de areia separado do continente pela Ria Formosa. As águas são cristalinas, geladas e venta bastante. Há muitos restaurantes próximos, como o Cais 73. Com um ambiente mais moderno, serve até açaí e sanduíches deliciosos, como o hambúrguer Angus por 9,5 euros.

Passar o dia ali na praia é uma bela opção, mas a dica é chegar cedo porque o acesso é feito por uma ponte de mão única e o trânsito pode complicar em alguns horários, principalmente na alta temporada.

Para quem gosta de sítios históricos a parte antiga da cidade é um prato cheio. É possível passar um dia inteiro passeando pelas atrações.

A Igreja de Santa Maria, a Sé Catedral de Faro, por exemplo, foi construída em estilo gótico, entre os séculos XIII e XV.

O Palácio Episcopal, por sua vez, impressiona pelo tamanho. Ele fica bem em frente à igreja. As muralhas que circundam a parte antiga da cidade foram construídas pelos árabes, e depois erguidas novamente pelos portugueses após a reconquista.

Não deixe de passar pelo Arco do Repouso, que dá acesso à cidade antiga é outro ponto para conhecer.Recomendo caminhar pelas ruas, observar com calma o casario bem conservado e aproveitar um dia inteiro pela cidade antiga.

E para terminar a viagem pelo Algarve, a próxima parada é Tavira, cujas dicas seguem em outro post!

Albufeira, sua linda!


Albufeira, cidade do litoral sul de Portugal, é um caso de amor. A primeira vez que visitei o local foi há pelo menos 20 anos. Nesse período ela cresceu, e de uma vila de pescadores se tornou um dos principais destinos do Algarve.

Hoje o turista encontra por lá imóveis de veraneio para alugar, uma rede hoteleira de primeira e opções de bares e restaurantes para todos os gostos. Eu moraria fácil em Albufeira, porque o clima é mais semelhante ao do Nordeste brasileiro, embora a temperatura das águas nas praias lembre mais o Rio de Janeiro.

Da última vez em que estive por lá me hospedei no Hotel Santa Eulália, perto da praia de mesmo nome. O local é mais afastado do centro histórico, mas conta com estacionamento, quartos excelentes e um café da manhã espetacular, com brownies, Pastéis de Belém e frutas que fogem o convencional como o kiwi.

Você pode optar por Albufeira como base para conhecer as praias próximas e até outras mais distantes fazendo bate e voltas.

Eu reservaria pelo menos dois dias para conhecer o que está próximo. No primeiro, vá visitar a parte mais antiga com a Igreja Matriz de 1782, os mirantes (Rossio e Bem Parece) e Museu de Arqueologia. Ali você fica sabendo que Albufeira esteve sob dominação árabe por um longo período e vê os restos de um castelo medieval.

É lá que está a praia do Paneco, e o elevador de mesmo nome que leva as pessoas da parte baixa para a alta e vice-versa. Andar pelas ruas, sentar em algum café ou bar e depois ver o pôr-do-sol em um dos mirantes, ou mesmo na praia, é um belo programa.

Para jantar, experimentei o Restaurante Martins que tem uma costeleta de porco maravilhosa e fica quase em frente ao hotel onde me hospedei. É bem familiar e foge aos locais turísticos. O atendimento é excelente e o vinho de primeira!

A praia de Santa Eulália tem muitos resorts, e isso garante areias mais vazias e exclusivas. A estrutura é excelente para passar o dia e o mar calmo convida a um mergulho. A partir de Albufeira você pode visitar Faro em passeio de um dia, mas essa dica fica para o próximo post!

Descendo a Costa Vicentina



Após passar em Comporta e Vila Nova de Milfontes, chegou a hora de conhecer Odeceixe, mais uma praia da Costa Vicentina. 

A estrada que leva ao local traz curvas sinuosas que revelam um povoado incrustado no alto a 3,5km do mar.

Para quem curte as ondas, Odeceixe é o lugar ideal. A praia tem uma pequena vilazinha, bucólica, até um pouco hippie, formada por poucas ruas e muitas casas que viraram albergues e pousadas alternativas.

A paisagem mostra a natureza mais selvagem e a praia de ondas fontes indica que ali é a parada obrigatória dos surfistas. O banho de mar muitas vezes é proibido devido à força da correnteza, então você fica com a opção do rio Seixe que está ali ao lado e oferece águas calmas, principalmente para quem viaja com crianças.

É possível descer de caiaque os 3,5 km da vila até a praia pelo rio. Um passeio diferente para quem curte a natureza. O Seixe é a divisa natural entre as regiões do Alentejo e Algarve. Se você não é surfista eu recomendo uma rápida visita à vila e à praia. Na maré baixa você pode ir andando até praia das Adegas, reservada para naturistas, e seguir em frente até Sagres, o ponto mais ocidental da Europa continental. 


Sagres

Cerca de 50km separam Odeceixe de Sagres, ou 1h de carro pelas excelentes estradas portuguesas. Se a fome apertar minha sugestão é ir direto para a Adegados Arcos, um restaurante local bem simples, mas que serve peixes fresquíssimos. A sardinha na brasa é uma das especialidades, e uma porção com 10 a 12 delas sai por 10 euros.

Para fazer a digestão, nada como visitar algumas atrações da cidade. O Cabo de São Vicente deve ser a primeira parada, não só por abrigar o farol e um museu dentro da Fortaleza de São Vicente, mas principalmente pela paisagem dramática que oferece aos turistas.

As rochas sendo açoitadas pelo mar bravo, o vento que é forte e constante, o azul do céu, o branco das espumas do Mar Mediterrâneo... É difícil esquecer o que se vê por lá. Não é à toa que o lugar era considerado o fim do mundo (na época dos terraplanistas), e o “promontório sagrado” de Saturno, um dos deuses adorados pelos romanos.

Conta a lenda que o infante D. Henrique teria estabelecido, próximo dali, a sua escola de navegação (Escola de Sagres) no século XV, mas as pesquisas mais modernas não confirmam essa história. O nome do Cabo vem do padre espanhol martirizado no início do século IV. Segundo outra lenda, seus restos mortais teriam sido trazidos para o local.

O Cabo de São Vicente faz parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e muitos visitantes chegam ao local após percorrer a pé a Costa Vicentina (350km de caminhada).

Em cerca de 1h você percorre a fortaleza, vê o farol, visita o museu com informações sobre a construção, mapas cartográficos e peças como maquetes de naus da época dos descobrimentos e vai na lojinha comprar um souvenir.

Pertinho há outro forte, o Beliche, que só tem os muros e uma bela paisagem com vistas para praias que surgem entre as rochas.

A segunda parada deve ser a Fortaleza de Sagres, bem maior e onde você ficará por no mínimo umas 2h.

Por módicos 3 euros por pessoa, você conhece um complexo militar imenso que está ali desde o século XV e que foi parcialmente destruído pelo terremoto no século XVIII. Tente percorrer todas as muralhas, ver os canhões, visitar a igreja N. S. da Graça, e passear pelas trilhas sinalizadas. A paisagem do mar com as rochas mais uma vez impressiona.

Para encerrar o dia, que tal ver o pôr do sol na praia de Mareta? A super dica é o restaurante Chiringuito que tem na parte externa quiosques com uma vista deslumbrante. O atendimento e a música ambiente são excelentes e as opções gastronômicas deliciosas. O prato de queijos com geleias brincam com a dualidade do doce e salgado, e os camarões... ai chega de água na boca!

Em Sagres eu recomendo ficar pelo menos dois dias, para que o turista tenha tempo de visitar os pontos principais e aproveitar as praias. Para pernoitar a dica é o Hotel Don Tenório, que tem quartos enormes, piscina e uma pequena cozinha americana, muito bom para quem viaja em família.

Não visitei todas as praias, porque o ideal é escolher uma ou duas e aproveitar o dia. Então coloco as três em que estive com o pé na areia e minhas impressões:

Tonel – bem pequena e cheia de surfistas. Fica próxima à Fortaleza de Sagres. O estacionamento é em uma ladeira íngreme e por isso em alta temporada deve ser difícil chegar lá após determinado horário. As rochas são o mais impressionante do local.

Baleeira – localizada perto do porto, onde saem os passeios de barco para ver golfinhos ou praticar a pesca.

Martinhal – Com águas calmíssimas, geladíssimas e de uma coloração espetacular é onde eu recomendo passar o dia. O restaurante bar Martinhal é um belo ponto de apoio, que cobra entre 10 e 15 euros pelas cadeiras com guarda sol. Para chegar na praia você passa por ruas com belíssimas mansões, o que torna o local ainda mais seleto.

A partir de Sagres continuamos a jornada pelo litoral sul português, mas essas dicas ficam para o próximo post!